FGM ENTREVISTA

Armando de Angelis

Sobre o entrevistado

autor

 

Mesmo à distância, mas nunca ausente, Armando é um amante da sua terra natal – Araxá, e um admirador da cultura e da gastronomia local. Enquanto por lá esteve, recebeu boas influências nas suas aptidões artísticas e culturais, que mais tarde tanto contribuíram para sua vida profissional.

Antes de se formar em administração de empresas e se tornar publicitário, fez músicas e participou de festivais, desenhou e elaborou charges, escreveu artigos e crônicas, foi um dos fundadores da Feira de Arte e Artesanato da Praça da Liberdade, em Belo Horizonte, onde expunha e vendia seus quadros, criou e produziu eventos culturais e gastronômicos, dentre eles, o Festival Internacional de Cultura e Gastronomia de Araxá, além de publicar o seu primeiro livro – “Sopas, Caldos e Cremes”.

Profissionalmente, dirigiu agências de propaganda por 35 anos, atuando especialmente nas áreas de atendimento, planejamento e criação. Atualmente, após abandonar o barco da propaganda há quase uma década, mora em Casa Branca, um pequeno distrito de Brumadinho, porém muito próximo de Belo Horizonte, onde, mesmo à distância, presta serviços de consultoria em marketing e comunicação, elaboração de projetos e planejamento de eventos, especialmente os de cultura e gastronomia.

No seu cantinho, coloca as ideias no papel (ou melhor, no computador) e aprimora seus dotes culinários, sem deixar de curtir a família, principalmente os netos, e a natureza esplêndida que lhe cerca.

FGM – Depois de oito edições do Festival Internacional de Gastronomia de Araxá, o evento mudou de nome e de foco. Qual a razão da mudança?

Armando de Angelis – A primeira edição do Festival Internacional de Cultura e Gastronomia de Araxá ocorreu em 2007. Desde então, até sua última edição em 2015, sua proposta principal foi a de proporcionar a reciclagem da cozinha araxaense através das novas metodologias praticadas na gastronomia contemporânea e da transferência de conhecimentos e experiências dos grandes chefs internacionais e nacionais ocorridas nas suas oficinas e nos seus festins. Nesse período, é nitidamente percebido o quanto evoluiu a qualidade dos restaurantes de Araxá e quantos novos de alto padrão gastronômico foram abertos e mantidos até então, como o Bossa Nova, Panini, Samthiago, Um Dom, Moquém, Armazem 460, entre tantos outros, mesmo os menores e mais caseiros.

Untitled2Paralelamente a essa situação, a cozinha amadora ou caseira da cidade também recebeu fortes influências adquiridas nas oficinas oferecidas ao público pelo festival, nos ensinamentos adquiridos nos cursos do SENAC e nas releituras culinárias desenvolvidas pelos chefs da cidade, especialmente pela boa performance de suas cozinheiras e seus cozinheiros. E também, pelo trabalho de resgate de antigas receitas desenvolvido pelo Clube da Cozinha Araxaense e pela troca de experiências entre os cozinheiros locais e os amantes da boa mesa.

Untitled8Diante dessa surpreendente evolução culinária da minha terra natal e da motivação de viabilização e lançamento do meu livro “Saberes e Sabores de Araxá”, que narra a sua história e da sua reconhecida gastronomia, como idealizador e promotor do já consolidado evento, resolvi dar uma guinada na sua proposta original. Inverti seu foco para um festival que torne a cozinha araxaense ainda mais relevante, mostrando internamente e externamente os seus principais valores, tanto culturais, quanto gastronômicos. O “Festival Saberes e Sabores de Araxá”, que teve sua primeira edição experimental em 2016, obteve sucesso institucional e cumpriu bem o seu papel, adquirindo a importância de se posicionar como referência da gastronomia praticada nas “Gerais”, no território do cerrado do Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba.

FGM – Qual a importância do Festival para o setor gastronômico local e regional na atualidade?

Untitled7Armando de Angelis – Conforme já afirmei na resposta da pergunta anterior, o Festival Internacional de Cultura e Gastronomia de Araxá teve uma importância fundamental na evolução da gastronomia praticada nos restaurantes da cidade. Hoje, boa parte deles atrai inúmeras pessoas de cidades vizinhas que aos fins de semana e feriados saem de suas casas e viajam para se deliciarem com os bons pratos oferecidos nas principais casas da cidade. Com isso, a gastronomia regional também tem mostrado muita evolução pela influência que recebem dos pratos oferecidos nos cardápios dos restaurantes de Araxá.

Untitled10 Untitled12Da mesma forma, o festival atrai também inúmeros visitantes regionais, que ao retornarem às suas cidades, comentam e estimulam a realização de outros eventos gastronômicos, como, por exemplo, o Festival de Cultura e Gastronomia do Cerrado de Patrocínio, que foi concebido a partir da transferência de experiências adquiridas nas nossas edições anteriores.

Já o novo modelo e a proposta conceitual do Festival Saberes e Sabores de Araxá, mostrou em sua edição experimental a sua importância para o resgate das tradições culinárias de toda região formada pelo Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba, para o fortalecimento de sua identidade culinária e para o desenvolvimento sustentável de sua autêntica gastronomia.

FGM – Qual o papel do Festival na construção de uma identidade para a gastronomia do Cerrado Mineiro?

Untitled1Armando de Angelis – A “comida mineira” é mais conhecida e reconhecida regionalmente, nacionalmente e até internacionalmente pelos pratos mais tradicionais elaborados nas cozinhas das “Minas”, enquanto que a das “Gerais”, mais rica em diversidades, ingredientes, formas de fazer e sabores, ainda é muito pouco conhecida pela sua autenticidade.

O papel desse novo formato de festival é de implementar, enaltecer e promover a gastronomia regional dessa parte das Gerais, o cerrado do Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba, colocando Araxá como referência desse território gastronômico.

Estrategicamente, a partir de 2017 estão previstos duas edições anuais do Festival Saberes e Sabores de Araxá, uma em junho – inverno (frio), e outra em outubro – primavera verão (calor). Cada uma com suas peculiaridades gastronômicas de época – ingredientes, insumos, pratos típicos de temporadas, entre outros fatores determinantes.

FGM – O livro Sabores e Saberes de Araxá foi lançado recentemente. Qual a conexão entre o livro e o Festival?

Armando de Angelis – A ideia original seria de lançar o livro no festival de mesmo nome previsto para setembro, porém em razão de atrasos nos procedimentos burocráticos do Ministério da Cultura, não foi possível efetivar a captação do patrocínio a tempo e diante dessa situação foi adiado e realizado em outubro de 2016. Desta forma, o livro “Saberes e Sabores de Araxá” teve sua distribuição gratuita obrigatória antes e seu lançamento oficial foi durante o festival.

Untitled3  Untitled21A conexão do livro com o novo formato do festival está umbilicalmente ligada à gastronomia histórica e tradicional de Araxá e de sua região de influência. Releituras de receitas de épocas e receituários de pratos típicos mais tradicionais tratados no livro estão em parte presentes nos pratos oferecidos pelos restaurantes participantes do festival.


FGM –
Fale um pouco sobre a sua experiência como membro da FGM.

Untitled4Armando de Angelis – Participando há cerca de dois anos como membro da Frente da Gastronomia Mineira, ampliei muito os meus horizontes e relacionamentos, obtendo inúmeras oportunidades de compartilhar meus pensamentos e experiências obtidas à frente do Festival Internacional de Cultura e Gastronomia de Araxá. Através das nossas reuniões, tornei o evento mais conhecido no meio gastronômico da região metropolitana de Belo Horizonte e das “Minas”, uma vez que o mesmo atingia mais o público local e regional, de São Paulo, Goiás e Distrito Federal.

Fazendo valer a premissa do slogan “Minas Gerais, o Estado da Gastronomia” a Frente da Gastronomia Mineira está cumprindo bem o seu papel institucional e representativo desta causa. Muito me honra participar desse movimento tão amplo e tão significativo para o fomento e desenvolvimento da gastronomia das “Minas” e das “Gerais” como atrativo turístico.