Giulia Mendes – Hoje em Dia
Criada há pouco mais de um ano, a Frente da Gastronomia Mineira dá continuidade a um trabalho que já rendeu bons frutos. O movimento que busca reforçar a marca de Minas no país e internacionalmente, articulando ações para ampliar iniciativas e diretrizes para o setor, se reunirá novamente nesta terça-feira, na Assembleia Legislativa de Minas Gerais.
A Frente é formada por 22 entidades de toda a cadeia produtiva da alimentação no Estado, entre elas a Associação Brasileira de Bares e Restaurante de Minas Gerais (Abrasel-MG), o Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae-MG), Associação Mineira da Gastronomia (AMiGa), sindicatos, indústrias, além de pesquisadores, chefs de cozinha e pequenos produtores.
A audiência pública convocada por Agostinho Patrus Filho (PV), ex-secretário de Turismo e Esportes de Minas, discutirá mecanismos de incentivo ao setor no Estado. O deputado estadual espera reunir ideias, opiniões e sugestões para aprimorar o Projeto de Lei (PL) 1.618/2015, de autoria dele, que visa instituir a Política Estadual de Desenvolvimento da Gastronomia.
Novos mercados
O texto propõe medidas como: identificar e atrair novos mercados para o turismo gastronômico, promover as boas práticas de produção artesanal, proteger a qualidade e a autenticidade da gastronomia local, reforçar e construir novos modelos de parcerias públicas e público-privadas, e tornar o Estado um destino gastronômico de reconhecimento nacional e internacional.
“É o momento de lutar pela aprovação de mecanismos legais para modernizar os processos e agregar valor aos nossos produtos, sem deixar de lado nossa identidade. Vamos avaliar o que já foi feito e o que ainda precisamos fazer para tornar Minas o melhor destino gastronômico brasileiro”, ressalta Agostinho.
Nas reuniões da Frente, os atores do setor aproveitam para expor dificuldades, experiências e propostas de interesse próprio, mas o desejo comum culmina na busca pelo reconhecimento legítimo do queijo, do café, do pão de queijo, da cachaça e outras tantas delícias típicas. E em como isso afeta de forma positiva a economia mineira.
“Muitas vezes levamos ao grupo essas demandas individuais. A cada reunião surgem novas pautas, mas devem predominar as que buscam medidas para a real valorização do setor no Estado”, diz Felipe Brazza, do Café das Amoras.
Nos cafés especiais, a busca contínua pela qualidade
Desde 2010, Felipe Brazza produz cafés de classificação especial feitos na Serra da Mantiqueira, Sul de Minas. Para ele, a maior dificuldade é a falta de reconhecimento do produto. “As pessoas conhecem o café como commodity, o café comercial. Existe um pequeno segmento de cafés especiais no mercado, do mesmo nível dos que são exportados”. O produtor conta que já envia os blends mineiríssimos para Caxias do Sul, Curitiba, Rio de Janeiro, Fortaleza e até Portugal.
Organização
A partir da consultoria do Sebrae-MG, a Frente da Gastronomia Mineira ganhou um plano que organiza as ações que serão tomadas até 2018. É um documento de planejamento estratégico que norteia as atividades dos grupos criados dentro da Frente.
Os participantes são separados por três temáticas diferentes para facilitar o trabalho: um grupo é responsável pela identificação, valorização e proteção dos produtos e os modos de fazer tradicionais de Minas, outro pela defesa da gastronomia mineira no ambiente político e o último fica por conta da promoção da gastronomia mineira.
A Abrasel-MG é uma das entidades responsáveis pela coordenação do grupo chamado de “advocacy”, responsável pela defesa. “É um trabalho de grande importância, único no Brasil. Desconheço outro coletivo de pessoas e instituições trabalhando em prol da gastronomia para que ela tenha seu devido local de destaque e para que a seriedade dos produtos seja reconhecida”, afirma o diretor executivo da Abrasel-MG, Lucas Pêgo.
Casa da Gastronomia vai integrar Circuito Praça da Liberdade
A reforma de um importante espaço da culinária de Minas, a Casa da Gastronomia, foi anunciada este mês durante reunião da Frente da Gastronomia Mineira na Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL-BH). O prédio, localizado na rua da Bahia, em Lourdes, Região Centro-Sul de BH, integra o Circuito Cultural Praça da Liberdade.
O secretário de Estado de Turismo, Mário Henrique Caixa, afirmou que o início das obras de revitalização do imóvel, cedido pelo Instituto Estadual de Patrimônio Histórico e Artístico (Iepha), é imediato. O recurso disponível para restauração do espaço é de R$ 1,2 milhão. Será feito ainda um projeto museológico e de instalação da casa.
Segundo Caixa, o local, já chamado de “templo da gastronomia mineira”, servirá como ponto de divulgação do “bem imaterial” que é a culinária de Minas, e receberá “eventos, demonstrações, intercâmbio de receitas da gastronomia com os ingredientes e pratos típicos, de raiz. A casa será também um meio difusor e de troca de experiências da arte e saber dos aromas e dos sabores de Minas”.
A Casa da Gastronomia terá como parceiros órgãos e instituições privadas como a Abrasel-MG, a Associação Mineira de Supermercados (Amis), a Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais (Faemg), a Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), o Mercado Central, a Federação do Comércio do Estado de Minas Gerais (Fecomércio) e o Sindicato de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares de Belo Horizonte e Região Metropolitana (Sindhorb).